Mês de conscientização sobre transtornos mentais e prevenção ao suicídio

* Nataly Sousa - educadora social do Projeto Ecoar Jovem


Setembro é o mês dedicado para a sensibilização e prevenção dessa problemática de saúde pública. O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019 revelou que mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio - uma a cada 100 mortes. No Brasil, os dados mostram 13 mil pessoas por ano.

Em muitos casos de suicídio ‘’bem sucedido’’, é possível perceber formas de prevenir, pois em geral o sujeito demonstra alguns sinais de risco. Cerca de 96% dos casos estão relacionados a transtornos mentais, como depressão, seguido de transtorno bipolar e abuso de substâncias. Infelizmente as questões relativas à saúde mental ainda são muito estigmatizadas e desacreditadas, colocadas como ‘’coisas de louco’’, ‘’frescura’’, ‘’fraqueza’’, ‘’falta de Deus’’. Frases feitas que em nada contribuem no cuidado.

O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio, atendendo de forma voluntária e gratuita todas as pessoas, diariamente sob total sigilo, pelo disque 188.

Além disso, a atenção em saúde mental é oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS). A rede de cuidados em saúde mental, Crack, Álcool e outras Drogas prevê, a partir da Política Nacional de Saúde Mental, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), os Serviços Residenciais Terapêuticos, os Centros de Convivência e Cultura, as Unidades de Acolhimento e os leitos de atenção integral em Hospitais Gerais. Ofertam assim, o suporte necessário de forma gratuita, universal, equitativa, de qualidade e em liberdade à sociedade.


É bem verdade que o acesso a equipamentos de saúde mental ainda é considerado um privilégio para maioria da população, seja pela ausência de tempo, dinheiro, fila de espera ou especificidade do cuidado. E nitidamente, algumas questões conjunturais são as principais causadoras dos adoecimentos, sendo o tratamento muitas vezes paliativo. A estrutura social que vivemos hoje é adoecedora e ao sair da sessão de terapia, por exemplo, o sujeito se defronta com a mesma realidade que vivia antes: o desemprego, a fome, conflitos familiares, dificuldade de acesso à serviços, etc.

Portanto, mais do que uma data para discutir sobre a prevenção e pósvenção ao suicídio, precisamos cobrar do poder público o aumento de oferta desses serviços e a melhoria das condições de vida.