Bem-vindo povos e profetas. Esta é a economia de Francisco.

Por Luiza Udovic Bassegio, do Grito dos Excluídos Continental* Assis, Itália

Muita emoção na abertura do Encontro Mundial da Economia de Francisco que acontece de 22 a 24 de setembro em Assis, Itália.



Com Eduardo Brasileiro e Peterson Prates da ABEFC, junto com Luiza Udovic Bassegio dos Grito dos Excluídos no "Palazzo del comune", durante atividade da Economia de Francisco, em Assis - Itália
Com Eduardo Brasileiro e Peterson Prates da ABEFC, junto com Luiza Udovic Bassegio dos Grito dos Excluídos no "Palazzo del comune", durante atividade da Economia de Francisco, em Assis - Itália


“Vai e seja sentinela noturna. Aquilo que vir grite, preste a atenção. Muita atenção. Então a sentinela gritou... Sentinela, quando será eliminada a miséria? Quando cada menina e menino poderão crescer num mundo onde tenham a permissão de viver a vida que desejam viver?...Quando os direitos dos povos indígenas e nossas diferentes formas de economia serão reconhecidas? Quando os cárceres serão humanos? O amanhã está para chegar, mais ainda é noite...”. Sentinela, quanto tempo ainda teremos que esperar por uma economia mais fraterna, inclusiva e igualitária? Quando a economia que mata se transformará na economia da vida? Estes foram alguns trechos que marcaram a mística de abertura, inspirada na profecia do profeta Isaías.


Mistica de Abertura


“Somos idealistas e concretos porque somos jovens”. Após 3 anos da carta do Papa Francisco estamos aqui, Teatro Lyrick, em Santa Maria degli Angeli. O COVID adiou o nosso Encontro Mundial previsto para 2020, mas isso transformou a Economia de Francisco num processo de vida que inundou o mundo inteiro. Países de todos os continentes estão representados. Foram citados Portugal, Síria, Ucrânia, México, Argentina, Benin, Coréia, Colômbia, Itália, Guatemala e é claro, com muito ânimo o apresentador gritou Brasil. Uma das delegações mais animadas e abordadas no encontro. Lembrou com tristeza que infelizmente, após três anos de espera, jovens da Nigéria, Uganda e Camarões não receberam o visto por falta de garantia de voltarem ao país. Na economia de Francisco estas injustiças não vão acontecer mais. As relações serão pautadas na confiança.


Foi destacado que o Encontro não será de eventos e sim de abraços. Serão três dias de abraços, encontros e diálogos pessoais. Uma intimidade coletiva e alma delatada. Muita escuta. A economia de Francisco é aquela que sabe ouvir, a economia que abre espaço e sabe calar diante da luta dos povos. O evento tem uma dimensão pessoal e coletiva. Acontece entre o eu e o nós. Precisamos vivenciar ambas dimensões para construir um novo capital espiritual e dar uma alma a economia.


A pandemia, a crise socio ambiental e as guerras dizem fortemente que o mundo precisa da economia de Francisco. É por isso que estamos aqui, para reafirmar nosso compromisso de tornar realidade o sonho de economia de Francisco.


Abrindo a palavra para a colheita da economia de Francisco, alguns jovens, construtores de pontes presentes na plateia, foram chamados a apresentar algumas experiências e propostas. Representando a nossa delegação brasileira falou o sociólogo Eduardo Brasileiro, da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara, que apresentou o histórico da articulação brasileira a partir do chamado de Francisco. Lembrou que as mulheres brasileiras que estão hoje aqui disseram que a nossa economia deveria ser de Francisco e Clara. Clara como uma expectativa das periferias. Das juventudes que não estão no centro do capital. Das periferias existenciais que envolvem as juventudes negras, as mulheres indígenas, lutadores anti racismo, LGTBI+ fobia e tantos outros movimentos da cultura da morte. Clara se soma a Francisco para construir as alternativas de outro mundo possível... E nesta perspectiva de religiosidade que vamos dialogando no Brasil com movimentos populares e de territórios, fomos construindo uma perspectiva de Paulo Freire. “Minha cabeça pensa onde meus pés pisam”. Por isso, temos que estar inseridos na periferia. Que a economia de Francisco e Clara seja uma ponte entre o centro e a periferia e também entre as periferias para construir um mundo onde todos caibam. Trouxemos aqui estas reflexões para partilhar e dialogar juntos.




Eduardo Brasileiro


Ao final desta primeira sessão de abertura no teatro, todos foram para o Palaeventi de Santa Maria Degli, que no evento é chamado de “Casa”, onde não haverá uma única língua, mas sim muitos idiomas do mundo respeitando a biodiversidade das línguas, pois uma única língua lembra muito Babel. A cidade foi dividida em diferentes áreas para os encontros e iniciativas. Na parte da tarde o encontro volta para o teatro para a apresentação dos embaixadores de Francisco e apresentações culturais.


Luiza Udovic Bassegio com colegas da sua Vila


O segundo dia terá início com um encontro com São Francisco. Cada um de nós é convidado a visitar alguns dos lugares da vida e da espiritualidade do santo que inspira esta nossa caminhada rumo a uma nova economia. E em seguida vamos para o que chamamos de “aldeias ou vilas”, que terá uma programação rica e variada em lugares emblemáticos de Assis. Minha Vila será “Políticas para a Felicidade”, onde queremos debater maneiras de cultivar a felicidade garantindo saúde, educação, moradia, proteções sociais para toda a humanidade. Uma economia justa, com igualdade de oportunidades e sustentável.


O dia terminará com conferências e oficinas. E no sábado, o tão esperado encontro com o Papa Francisco onde será realizado o pacto por uma nova economia.


*Luiza Udovic Bassegio é estudante de Relações Internacionais, faz parte da ABEFC- Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara e integra a delegação gaúcha dos cinco jovens da economia de Francisco. Representa o Grito dos Excluídos Continental e Rede Jubileu Sul Brasil.