Minipúblico debate cenário e barreiras para aplicação de tempos de espera nos atendimentos de saúde

Representantes da população da Grande Porto Alegre voltaram a se reunir no fim de semana em mais uma oficina do Minipúblico Tempos de Espera no SUS


No último sábado (17), moradores de 17 municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre participaram do segundo encontro de debates e deliberações sobre os tempos de espera clinicamente aceitáveis nos atendimentos no SUS (Sistema Único de Saúde). A iniciativa faz parte do Minipúblico Tempos de Espera no SUS, realizado pelo Grito dos Excluídos, Rede Brasileira de Cooperação em Emergências (RBCE) e Delibera Brasil, por meio do projeto Decidadania.


Na primeira parte da oficina, os participantes ouviram apresentações dos médicos especialistas Dr. Armando De Negri Filho, Coordenador Geral da RBCE, Dra. Adriana Braga, geriatra e coordenadora do Capítulo Brasileiro da Fragility Fracture Network, Dra. Evelinda Trindade, Doutora em Avaliação e Incorporação de Novas Tecnologias nos Serviços do Sistema de Saúde Brasileiro e Dra. Patrícia Albuquerque, nefrologista e membro da RBCE e da Aliança dos Tempos de Espera Clinicamente Aceitáveis.


Os especialistas falaram sobre o cenário atual e as barreiras e estratégias para a aplicação dos tempos de espera clinicamente aceitáveis nos serviços e nos tratamentos de doença renal e de fratura de fêmur no SUS.


Após a exposição do tema, os participantes foram divididos em quatro grupos para a deliberação dos pontos apresentados na etapa informativa. O minipúblico se debruçou sobre proposições, como a exigência de um tempo máximo de permanência de 4 a 8 horas nos serviços de urgências, a definição de 48 horas como tempo máximo para as cirurgias de fêmur, além da realização de exames e diagnósticos em tempos adequados para evitar a doença renal crônica.


Segundo Lucimara Helena, moradora de Alvorada, o principal desafio apontado pelos membros do seu grupo de debate foi a ausência de informações sobre como se organiza o sistema de atendimentos de especialidades no SUS. “É necessário investimento em comunicação e orientação para que as pessoas tenham conhecimento dos seus direitos como usuários do SUS e, com isso, possam reivindicar um atendimento de qualidade”, ressaltou.


Para chegar às deliberações, os grupos contaram ainda com o apoio dos especialistas e com a cofacilitação de Amanda Machado, advogada e integrante da RBCE, Ana Paula Santos, enfermeira, educadora popular e membro da RBCE, Cecília Soster, enfermeira e especialista em Enfermagem de Emergência, e Dra. Rosângela Dorneles, médica reguladora na Central de Leitos de UTI da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul.


A Dra. Evelinda avaliou as oficinas do minipúblico como “um importante processo participativo, no qual as pessoas podem ter voz para estruturar, a partir das suas experiências e com base nas evidências que foram discutidas, processos que podem modificar a saúde das pessoas na região”.


Na próxima quarta-feira (21), na terceira oficina do minipúblico, o grupo volta a se reunir para continuar as deliberações sobre as barreiras para a aplicação dos tempos de espera no SUS, além de estratégias para superá-las. Ao final dos encontros, um documento com recomendações será elaborado e entregue aos conselhos estaduais e municipais de Saúde, câmaras de vereadores e prefeituras dos municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre e para a Assembleia Legislativa e Governo do Estado do Rio Grande do Sul.





Rede Brasileira de Cooperação em Emergências - RBCE

É uma associação da sociedade civil fundada em 14 de novembro de 1995. Congrega profissionais que atuam na gestão, gerenciamento e atenção às urgências médicas no país. Busca incidir na formulação e aplicação das políticas e desenvolver redes, gerência e trabalho no campo das urgências, tendo promovido a criação do SAMU Nacional e da legislação que define a Politica Nacional de Atenção às Urgências .


Grito dos Excluídos/as

A proposta do Grito nasce no Brasil em 1994, inspirada na Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que tinha como lema a Fraternidade e os Excluídos. Em 1999, o Grito dos Excluídos/as ecoa em outros continentes. Foi assumido por 15 países da América Latina e Caribe. Tem como objetivo social animar, organizar e articular os movimentos populares das Américas, pelo respeito aos valores humanitários como condição essencial de realização da justiça social, da cidadania e da democracia.


Delibera Brasil

Fundado em 2017, o coletivo Delibera Brasil é uma organização sem fins lucrativos e suprapartidária que objetiva contribuir para o fortalecimento e aprofundamento da democracia brasileira, ao promover e viabilizar a deliberação cidadã. Essa nova forma de participação cidadã ajuda governos, lideranças políticas, movimentos, comunidades e coletividades a encaminharem decisões difíceis e complexas, com foco no bem comum por meio de sorteio, minipúblicos e deliberação de soluções para problemas de bairros, regiões, cidades, estados e países.