SOMOS RESISTÊNCIA

Com este sentimento aconteceu mais um mutirão da 6ª Semana Social Brasileira em São Paulo

A Plenária da 6ª Semana Social Brasileira (SSB), do Sub Regional SP – CNBB Regional Sul 1, é o segundo encontro que Jesus Francisco dos Santos participa no final de semana. “É cansativo, mas é necessário ocupar os espaços de discussão e de formulação de propostas. Principalmente no momento atual, acredita o participante. “Somos resistência quando o processo democrático está em risco.” Esta foi a atmosfera da Plenária organizada pela coordenação da 6ª SSB do Regional Sul 1 da CNBB, em parceria com o Grito dos Excluídos Continental, que aconteceu no domingo, dia 24, no Centro Pastoral São José do Belém, em São Paulo. Desigualdade social e distribuição de renda é um desafio permanente do país, mas nunca foi tão difícil lutar por igualdade. De acordo com os participantes, vivemos um período em que o conflito deixou de ser a polarização entre direita e esquerda, e passou a ser um confronto entre civilização e barbárie. Como resultado, um abismo ainda maior entre as classes sociais.





O bispo Dom José Benedito Cardoso, evidenciou tal abismo ao lembrar que mais de 33 milhões de pessoas passam fome e 58 milhões estão em situação de insegurança alimentar. “Os privilegiados adquirem progressivamente o poder de aumentar os seus privilégios, lamenta. “Os trabalhadores rurais, por exemplo, sentem no bolso a injustiça do modelo econômico atual; os pequenos produtores de leite recebem R$2,85 por litro, que chega a custar R$8 ao consumidor final. Para onde vai essa diferença?”, questiona.



Não há incentivo, pelo contrário, os que produzem mais, recebem um valor maior pelo litro. Sem contar que a utilização da tecnologia utilizada no agronegócio não acompanha a qualificação de parte da mão-de-obra do setor e, como resultado, o desemprego afeta os mais vulneráveis, como pessoas sem carteira assinada, os com menores níveis de instrução formal e as mulheres. “Ao invés de incluir, a tecnologia passou a excluir, o que vem gerando uma classe de descartáveis”, complementou Eliane Martins, integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD), ao apresentar sua análise do cenário atual.


Para ela, quando o lucro está no centro da realidade econômica, os direitos sociais dos trabalhadores são desqualificados; o coletivo e a solidariedade são vistos como sinais de atraso. “Não é a mercadoria que vai gerar lucro, mas a exploração do trabalho”, explica. “A jornada de trabalho é cada vez maior e necessária para manter uma condição econômica que permita ao trabalhador ter acesso às necessidades básicas. Entretanto, “quando o sistema precisa de força de trabalho para manter o capital, ele flexibiliza e permite que a sociedade crie um horizonte social”, diz Eliane.



Portanto, é necessário que a sociedade esteja organizada, esta força é que vai conseguir modificar esta lógica de exploração. O Brasil produz o suficiente para alimentar o dobro da sua população. Nossos problemas não resultam da falta de recursos, mas da sua má distribuição. Nosso problema não é econômico, é político.


“E nós não vamos sair deste pântano em um passe de mágica, é necessário que haja um momento de transição”. A eleição deste ano é parte deste capitulo. Mas não basta eleger os melhores candidatos e ir pra casa. Precisamos de formação e de organização popular. Precisamos superar nossa indiferença, fragmentações, conflitos e individualismo excessivo para trabalharmos juntos como uma família humana unida em um propósito comum.


E como ressaltou Jardel Lopes, da coordenação nacional da 6ª Semana Social Brasileira, é só de baixo para cima que vamos construir este Brasil que queremos: o Bem viver dos povos. Jardel compartilhou um pouco da agenda deste grande mutirão por Terra, Teto e Trabalho, que acontece em todo Brasil, em total sinergia com o chamado do Papa Francisco para superar uma economia de exclusão e desigualdade.





DESAFIOS APONTADOS NA PLENÁRIA
  • Investir na formação política numa perspectiva libertadora, inclusiva, superando o individualismo e fortalecendo a solidariedade;

  • Retomar o trabalho de base, com a metodologia da escuta, do diálogo;

  • Encantar a juventude por meio da comunicação, na utilização das redes sociais e de uma pedagogia inovadora;

  • Lutar em defesa da democracia e de um sistema de proteções sociais amplo, que envolva a garantia dos direitos civis e políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais como fundamentos de um desenvolvimento capaz de produzir justiça social e justiça ambiental.

  • Se preocupar com as eleições não só para o executivo, mas com igual importância para a renovação dos legislativos;

  • Criar e apoiar iniciativas de combate à fome.


EXPERIÊNCIAS EXISTENTES E QUE PODEMOS AMPLIAR
  • Formação de conselheiros/as para a participação e o controle social ocupando espaços de incidência e decisões;

  • Comitês Populares como espaço de diálogo com o povo;

  • Trabalhos solidários na cidade e no campo – a pandemia evidenciou a capacidade de solidariedade que existe entre o povo;

  • Escolas de Cidadania e de Fé e Política;

  • Processos Conferenciais como espaços de participação e controle social;

  • Rodas de conversa como exercício de uma pedagogia inovadora e inclusiva;

  • Economia solidária;

  • Romarias da Terra, do Trabalho e dos Santos Padroeiros.


TRABALHO PROCESSUAL DE ORGANIZAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO
  • Trabalhar de forma articulada, saindo da própria caixinha e superando a fragmentação;

  • Ampliar a organização através de uma formação sistemática e permanente que empodere os coletivos comunitários;

  • Estar atendo no fortalecimento de um trabalho através das redes sociais, principalmente para dialogar com a juventude.